
2.9 – A lenda esquecida
“A paz voltou ao mundo, e assim como tudo que é passado, esta lenda também foi esquecida. Diziam as histórias que quatro raças foram criadas. Diriam os deuses “que criaturas equivocadas!”“. Na verdade foram cinco. Todos os deuses teriam se juntado e criado a "perfeição", e se cada raça representava um elemento, esta seria o quinto elemento... Pois controlava algo a mais: os raios. Os deuses temeram que uma criatura esbelta e poderosa se revoltasse contra eles, assim eles foram isolados, e foram chamados de os Duraenai, que significa rejeitado. Dizem também que um Duraenai poderoso ajudou a selar um grande mal conhecido por Ragnaros. Outra história é de que eles andam disfarçados entre os humanos, avaliando a sociedade deles. Também não se sabe ao certo sua aparência. Consideramos o fato de que a "perfeição" ganhou um pouco de cada elemento. Não se sabe ao certo o que são e para que vieram. Não sabemos o que exatamente eram, mas graças a eles a tempestade de caos que assolava o mundo se foi. Pobres humanos... Não distinguem as coisas "certas" dos mitos, e se perdem facilmente. Outra coisa que deve ser ressaltada: diz a história que o poder especial deles era justamente poder ter todos os poderes, a capacidade de aprender uma ampla quantidade de magias. Talvez por isso eles tenham sido isolados. O poder pode trazer a paz e a destruição, a alegria e a solidão, muitas, ou não, pode não trazer nada. Tudo depende de como o portador do poder o usa. Por terem confiado nos gigantes e terem sido traídos por seu coração que outrora fora bondoso, os deuses perderam a confiança em toda e qualquer criatura. Esse foi o único motivo pelo qual os Duraenai ganharam um nome com tal significado. Poucos viram, poucos Duraenai revelaram sua identidade, porém eles não tentaram se revoltar; continuaram gentis, e há séculos não se vê uma dessas injustiçadas criaturas. “Essa é a historia dos esquecidos e injustiçados excluídos, os Duraenai.”
– Pobres criaturas... Entendo em parte a dor deles. – Comentou aquele aprendiz após escutar tudo aquilo.
– É, deve ser horrível... – responde a sacerdotisa, agora fitando o aprendiz que mal tirava os olhos dela para olhar as ilustrações da maga.
– O que o ancião fez após contar a história?
– Sumiu sem que percebêssemos, e a fogueira se apagou.
– Interessante... Por que ainda não anoiteceu?
– Aqui não existem dias e noites definidas... Apenas existe o tempo púrpuro, onde tudo pode acontecer. "Nome estranho" é o que tu me dirias... Bem, penso eu ser "púrpura" porque vermelho seria muito quente e azul muito frio. Talvez devido a tudo puder acontecer que tenhamos as "quatro estações" dentro do reino.
– Entendo. Sabe... Achei estranho o final da história...
– E o que vais fazer em relação a isso?
– Modificar... Estamos em evolução contínua.
Capítulo 3 – O verdadeiro final é apenas o começo

– Como vai ficar o final?
– Do mesmo jeito... No final acrescento algo como "E eis as criações dos deuses, por vezes modestas a ponto de se dizerem meros animais, por vezes pretensiosas a ponto de crerem ser os senhores do mundo, a todo o momento inseridos no duelo do bem e do mal e no conceito metafísico da vida e da morte. Tão pequenos em sua esfera negra agora coloridas por relevos, tão grandes em seu espírito... em seus lugares na história, no espaço e no tempo, no meio da uma história que ainda não parou de nos surpreender. Apareceram divergências nas lendas, mas os sábios concordariam em dizer que isto não é o fim. Não chega nem a ser o princípio do fim. Mas é talvez, o fim do princípio. Os fins justificam os meios pelos quais a história se desenrolou até onde estamos? Se são os deuses, ou os gigantes, ou os humanos, ou elfos, ou orcs, anões, titãs, ou os Duraenai o ou os possuidores dessa resposta. Ou se existe realmente uma resposta... temo eu que seja meramente uma esquecida, épica e arcaica informação confidencial. Sore wa dake.”
– Realmente muito bom, coisa fofa. As últimas palavras não são de sua língua, pelo que percebi.
– São em japonês. O Japão é algo... Incrível, indescritível... E essa é uma expressão que diz algo como "então é isso”... Então, é isso o que posso fazer.
– Podes fazer mais... Estás em processo de constante aprendizado e evolução e a um nível relativamente elevado. Você é a perfeição em forma de aprendiz, e esta foi a melhor forma para um mero aprendiz encontrar ao acaso e lapidar o fim de algo que não se sabe ser apenas uma lenda ou a mais pura verdade. Bom trabalho, raposa. – Responde a sacerdotisa, enquanto envolve o aprendiz em seus braços da forma mais aconchegante possível.
As palavras de reconhecimento, o calor daquela mulher e um abraço aconchegante. Tudo parecia ter roubado as palavras voltadas a qualquer agradecimento. Resolveu ele apenas se entregar aos braços daquela sacerdotisa élfica de beleza indescritível, mergulhando naquele profundo sentimento misto de paz, alegria e inquietação. Se sentimentos não podem ser descritos com precisão por palavras, diria ele que aquela sensação não seria descrita nem pelos sentimentos. Com a sensação sentida pelo surpreendente aprendiz e a benção da grande Sacerdotisa, a história cresce e continua... O ciclo recomeça, desta vez, será completamente diferente do anterior. A noite finalmente cai sobre o casal e a maga espiã, e o incansável trio se rende ao cansaço, caindo assim os três em um sono tranquilo e profundo... “Mal sabiam eles que a morte usa uma poderosa e lendária foice.”
Capítulo 4- O aprendiz e a conselheira
Ouve-se apenas a chuva caindo e a fogueira após aquilo. E a garota já impaciente volta à sessão de perguntas.
– O que foi isso? A história acaba do nada?
– Não, ela tem realmente começo, meio e fim.
[...]
Dija Darkdija
P.S.: Peço perdão por parar aqui, mas a história é muito, mas muito grande... e termina em outro mundo. Ou recomeça? ...duplo sentido ai ...ela terá sim continuação ...O livro será aberto e as memórias reveladas, mas não aqui.
Aqui : http://memoriasdeumaprendiz.blogspot.com/
Acompanhe as memórias de um aprendiz. Um dia eu as terminarei.